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Ave Fênix

março 23, 2010

 

Certa vez ouvi de um colega de trabalho que “a vida é uma sucessão de fatos inevitáveis”, apesar de não ser adepto da postura fatalista tive que concordar em parte com a frase.

Não que a vida por si só seja um filme cujo roteiro inteiro já esteja escrito e a nós, atores e platéia, reste apenas o triste papel de expectadores, associado à fatídica função de representar cenas as quais não temos a menor gerência (talvez, analisando sob essa perspectiva, a máxima ousadia permitida seja a adição de “cacos”, improvisos que, apesar de temperar, em nada alteram a cena, seu conteúdo ou finalidade).

Outra amiga já afirma que a vida é como um rio, talvez essa seja a concepção que mais se aproxime do que penso. Pode-se saber onde fica a nascente de um rio, assim como onde o mesmo desemboca, porém, uma vez que se lance em suas águas não há como prever toda a vivência e/ou a forma como se dará sua viagem de uma ponta à outra. Uma hora a correnteza pode estar bravia, em outra tranquila como uma manhã de domingo.

No obstante, esta viagem também não se dá em um único caminho, seguindo apenas uma linha reta. A viagem no rio-vida é cheia de intersecções, curvas, desvios, obstáculos, fins e recomeços. Na verdade essa é uma viagem feita em ciclos que se sucedem mais cedo ou mais tarde. Ciclos que, assim como a estória da mitológica fênix, encerram em sua essência um início e um fim, uma morte e um recomeço.

O caminho muitas vezes se mostra cansativo, sem alternativas, sem “vida”, porém, este pode ser na verdade o fim de um ciclo que precisa ser cumprido para chegar em outro. Pode ser que você também pense: “e se for o início?”. Ainda assim, haverá um momento de sucessão, onde toda a conjuntura vivida, em conjunto com suas ações, lhe levará a um novo ciclo que se iniciará trazendo novos desafios, novas estórias, novas “marés”…

Não vou parafrasear o cantor Nelson Ned afirmando que “tudo passa, tudo passará…”,  uma vez que viver traz alegrias, memórias e também cicatrizes. Sinceramente também não acho que tudo deva passar. Mais uma vez recorro à música para lembrar que “tudo que vai deixa um gosto” (como proclama a o grupo Capital Inicial) e que a vantagem de ser fênix é exatamente trazer o que se provou de importante em cada momento e com isso fazer diferente no porvir.

 Recomeçar, reconstruir, renascer.. O reinventar-se na verdade é trazer o que se aprendeu para um novo momento, para um novo “eu” que não deve ter a obrigação de ser”melhor” que o “eu” atual. Na verdade a função de se reinventar não se tornar o Superman ou a Mulher-Maravilha, a intenção é amadurecer, conhecendo cada vez mais nosso potencial e limitações frente às várias situações vividas em nossa passagem por este rio. Se reinventar nesse sentido não é se esconder atrás de um “falso novo ser”, mas realmente se permitir avançar nessa pequena brincadeira chamada vida.

Voltando à frase que iniciou esse texto, em minha humilde opinião, depois de tudo que dissemos, a mesma deveria ser alterada para “a vida é uma sucessão de fatos e é inevitável”.

Resta agora saber qual a sua opinião… 

Fique à vontade… 

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