Bem vindo ao Hotel Califórnia – Parte III

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Depois do showzinho dado pelo russo, o bar voltou ao marasmo habitual. Eu bebi mais uns três “conhaques” e tomei mais umas pílulas pra não perder o barato e resolvi sair dali, afinal só alguns minutos me separavam do encontro que eu ia ter com Lilith. Sabe como é… Quanto mais perigoso, mais gostoso fica…

O misterioso visitante

O misterioso visitante

Saindo do bar, eu escutei uma movimentação na parte de baixo, mais precisamente na recepção. Olhando pra lá, vi um homem vestindo um terno impecável. Ele estava acompanhado de um segurança e parecia destoar muito do buraco em que estávamos. Por um minuto ele olhou pra cima e o seu olhar cruzou o meu. Cara! Eu tenho que confessar que gelei. Eu não sabia quem era o cara, mas naquele momento já percebi que não seria alguém com quem eu gostaria de meter… Essa certeza eu tive desde o início… Mais umas pílulas pra dentro e segui pro tal terraço. A porta estava encostada e, ao passar por ela, encontrei a Lilith em pé, olhando pro nada que ficava à frente do hotel. Ainda sem se virar, ela disse:

– Eu tive dúvidas se você viria…

– E perder a chance de ficar sozinho contigo?

Ela se virou e me abraçou. Um abraço forte e do qual eu não queria sair. Eu não resisti e a beijei. Um beijo longo e quente como eu nunca havia provado. Não sei se foram as pílulas ou se foi a situação, mas começamos a nos beijar com mais força e a tirar nossas roupas, até que transamos ali mesmo. Ficamos abraçados em silêncio um tempo depois da transa, até que ela disse:

– Desculpa. Eu não posso te envolver assim… Você viu do que o Ivan é capaz…

– Ele é que não sabe do que eu sou capaz.

Pra falar a verdade, eu mesmo não sabia. Parecia que eu estava descobrindo isso naquela noite… Ela continuou:

– Você não entende. O Ivan é muito perigoso! Ele me mantém presa a ele porque sabe que eu não tenho como fugir. Em qualquer lugar que eu vá ele irá me encontrar! Ele veio pra cá pra participar de uma negociação com um figurão…

Ela se calou, como se tivesse falado demais. Eu lembrei então do carinha de terno que tinha chegado. Ele tinha uma pinta de quem tinha dinheiro demais pra estar ali… Eu devia ir pro meu quarto. Tomar mais umas drogas e dormir um pouco pra meter o pé na estrada de manhã cedo. Eu devia parar o jogo enquanto ainda estava ganhando, mas não resisti à idéia de ter aquela mulher de novo.

– E se eu te chamasse pra sair daqui comigo amanhã cedo?

– Você está me chamando pra fugir com você? Mas você nem me conhece..

– A gente se conhece pelo caminho.

– Mas você não entende? Pra fugir do Ivan, eu precisaria de dinheiro suficiente pra sumir do mapa e, me desculpe, você não parece ter isso..

Nisso ela estava certa. A grana que ganhei na farmácia não conseguiria bancar a nossa fuga de um mafioso e um psicopata. Nós iríamos precisar fazer uma grana rapidamente e ainda impedir que o Ivan nos encontrasse. Roubar o bar não valia a pena, já que o movimento do caixa era fraco naquela pocilga. A recepção também não prometia muito. Lembrei então da negociação que Lilith falara.

– Essa negociação que Ivan vai fazer é de que?

Ela me olha uns segundos antes de responder.

– Drogas…

Eu devo ter surtado, porque não fazia o menor sentido arriscar alguma coisa naquele momento. Tudo que eu devia fazer era dormir um pouco e sair dali antes que a polícia me achasse. Mas a idéia de ganhar mais uma grana e ainda levar aquela mulher comigo não me deixava pensar com clareza, ou será que a palavra “drogas” também pesou no que eu ia dizer?

– Eu acho que a gente pode conseguir uma maneira de sair numa boa dessa estória toda… Você falou que tava rolando uma negociação de drogas… E pelo que parece, você conhece o esquema. Que tal se a gente desse um jeito de pegar a grana e as drogas e se mandasse daqui?

Ela acendeu um cigarro e diz:

– O Damon, o cara engravatado, é mais perigoso do que você pensa… Você realmente acha que consegue?  Vamos fazer o seguinte: eu te conto o que eu sei. Se você conseguir, eu prometo que fico com você pelo tempo que for..

Eu peguei o cigarro da mão dela e disse:

– Fechado. Agora me conta tudo.

Ela passou os 10 minutos seguintes me contando sobre o esquema de entregas que Ivan e o traficante tinham ali no hotel. E eu a cada momento estava me afundando mais em algo de proporções que eu nunca conseguiria imaginar…

 

Continua…

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4 Respostas to “Bem vindo ao Hotel Califórnia – Parte III”

  1. In DA hell Says:

    Parabéns pelo blog!
    Muito bom!

    Voltaremos mais vezes!

    indahell.blogspot.com

  2. Rubens Correia Says:

    Esse Ivan e seu parceiro são da pesada, quero saber oq ue vai rolar nos próximos capítulos.

    BLOGdoRUBINHO
    http://www.blogdorubinho.com.br
    http://www.twitter.com/blogdorubinho

  3. Pobre Esponja Says:

    Pílulas para não perder o barato é roots…

    abç
    Pobre esponja

  4. Bruno Says:

    Mais um capítulo muito interessante.
    Cada vez mais suspense… Muito bom!

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