Aconteceu: A morte do estudante mais velho do mundo e da cultura da educação

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Nosso muito obrigado a Kimani por nos ensinar que nunca é tarde para aprender.

Nosso muito obrigado a Kimani por nos ensinar que nunca é tarde para aprender.

Em tempos em que se observa cada vez mais a acentuação do ataque à cultura de educação em vários níveis, recebi uma notícia que tem muito a ver com o tema e que, de certa forma, apresenta um forte caráter simbólico.

É sabido que no mundo e, mais especificamente, em nossa terra brasilis o analfabetismo e a baixa escolaridade ainda são parte de uma triste realidade. Tanto que foram incluídos nos Objetivos do Milênio estabelecidos pela ONU (para saber mais: http://www.pnud.org.br/odm/). A discussão destes temas na agenda mundial e em âmbito global tem direcionado esforços dos governos de vários países na redução e, quiçá, extinção desse quadro.

Alguns países têm adotado políticas de investimento de base referentes ao incentivo, acesso e continuidade da população nas instituições de ensino e aprendizagem. Outros, no entanto têm preferido o caminho das políticas focalistas, mercantilistas e, muitas vezes, paliativas como a redução da qualidade/exigência dos conhecimentos necessários para progressão escolar e até substituição dos espaços de ensino e aprendizagem por meios que deixam de ser instrumentos complementares para se tornar “a base de algumas metodologias de ensino”. A desqualificação do saber teórico e/ou técnico de algumas categorias profissionais também acaba sendo um elemento constante na adoção destas medidas. 

Em meio a toda essa conjuntura, encontramos exemplos claros de pessoas que lutam para vencer adversidades e contrariar estatísticas. Pessoas como Kimani Maruge, que até o último dia 14 foi considerado o mais velho estudante do mundo. Sua perseverança em superar o analfabetismo, que lhe acompanhou por grande parte de sua vida, havia encontrado o canal de acesso para realização de seu sonho de ler e escrever na recente política de educação queniana. Kimani morreu sem completar o ensino fundamental, mas com a garra de quem não desanimou e lutou para conquistar seu sonho.

Espero sinceramente que Kimani e sua perseverança não sejam artigos em extinção numa sociedade onde se pensa, erroneamente, que a overdose de informações que recebemos a todo o momento e de todos os lugares (TV, internet, rádio, etc.) substitui o estudo. Em um mundo onde o analfabetismo é combatido, mas não em sua forma mais perigosa: a do analfabetismo funcional (aquela onde a pessoa lê e escreve, porém não consegue interpretar o que lê).

Nossa equipe se despede de Kimani Maruge agradecendo a lição que este senhor de 90 anos e com o ensino fundamental incompleto nos ensinou.

Segue abaixo a notícia:

Aos 90 anos, morre no Quênia o estudante mais velho do mundo

NAIRÓBI – Um camponês celebrado no Quênia como o aluno mais velho do mundo faleceu aos 90 anos, informou a mídia local nesta sexta-feira. Kimani Maruge, um bisavô analfabeto, ganhou manchetes no mundo quando aproveitou uma tardia oportunidade de estudar depois que o governo do presidente Mwai Kibaki introduziu no país a escolaridade primária gratuita, em 2003.

A emissora NTV, do Quênia, informou que, no início do mês, Maruge recebeu o diagnóstico de câncer e havia sido submetido a uma cirurgia, mas depois disso sua saúde se deteriorou.

Veterano da revolta Mau Mau, nos anos 50, contra o domínio colonial britânico, Maruge nunca havia tido a oportunidade de ir à escola quando menino. Logo se tornou uma celebridade nacional e símbolo dos ativistas que fazem campanha pela educação gratuita em todo o mundo.

Em 2005, ele viajou para a sede da ONU, em Nova York, para fazer um apelo aos líderes mundiais por educação aos pobres.

Ele levou adiante seus estudos mesmo depois que sua casa no Vale do Rift foi incendiada durante a crise pós-eleitoral do ano passado e ele teve de mudar-se, primeiro, para um campo para famílias deslocadas, e depois para um abrigo de pessoas idosas na capital, Nairóbi.

A mídia local informou que faltavam dois anos para ele completar o ensino primário.

Em uma entrevista em 2006, Maruge disse à Reuters que queria ir à escola para poder ler a Bíblia sozinho e só pararia de estudar se ficasse cego ou morresse.

“Ser livre é aprender, sabe”, disse ele na época.

(Reportagem de Daniel Wallis)

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/08/14/aos+90+anos+morre+no+quenia+o+estudante+mais+velho+do+mundo+7894901.html]

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2 Respostas to “Aconteceu: A morte do estudante mais velho do mundo e da cultura da educação”

  1. FAGGH® Says:

    Não conhecia nada sobre o cara mais deve ser um exemplo a se seguir
    abrç

    http://www.celebritypoke.blogspot.com

  2. erich - 30 e poucos anos Says:

    É um ótimo exemplo de coragem e vontade de evoluir

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