Aconteceu: Negação do direito à saúde começa no nascimento

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Mais uma vez nos deparamos com uma notícia, no mínimo, revoltante estampando os nossos jornais:

Grávida dá à luz do lado de fora da maternidade do Hospital Paulino Werneck

Isabel Boechat – EXTRA

Dois dias depois do fechamento da maternidade do Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, uma mulher deu à luz no corredor do hospital. A grávida chegou em trabalho de parto, por volta das 8h da manhã desta quarta-feira, mas não pode ser atendida nas instalações da maternidade, fechada desde a última segunda-feira por determinação da prefeitura. O filho acabou nascendo do lado de fora da maternidade e ela teve que ser transferida em seguida.

A cena foi presenciada pelos presidentes das comissões de Defesa da Mulher, vereadora Tânia Bastos (PRB), e de Saúde, vereador Carlos Eduardo (PSB), que estavam no local para protestar contra o fechamento da maternidade do hospital. Na próxima quinta-feira eles se reunirão com o secretário municipal de Saúde Hans Dohmman para discutir a situação da maternidade.

Como a notícia acima ilustra, é notório o desmonte da nossa saúde pública. Poucos recursos são destinados, unidades hospitalares são fechadas, quadros profissionais não repostos… E o povo? Agoniza nas filas tentando atendimentos nos hospitais superlotados, mesmo depois de pagar caros planos de saúde que não cobrem boa parte de suas necessidades.

Alguns apontam a privatização da saúde pública como solução para a situação atual. Outros  sugerem que a passagem apenas da gestão dos hospitais públicos à iniciativa privada possa resolver (projeto que tem sido tocado pelo governo sem a menor discussão com a população e sem nenhum embasamento legal). Em minha opinião, o que realmente falta é a preocupação com a população! E mais ainda: a população cobrar seus direitos!

E como cobrar? Participando dos canais de controle social das políticas (não só a de saúde, como também assistência, educação, segurança…), dizendo não às arbitrariedades impostas e gritando pela manutenção e ampliação dos serviços públicos de qualidade.

No caso do Rio de Janeiro, várias manifestações tem sido feitas nesse sentido e tantas outras estão agendadas.

Participe.

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2 Respostas to “Aconteceu: Negação do direito à saúde começa no nascimento”

  1. Viviane Says:

    Mais um caso de desrespeito com o cidadão! Num momento tão delicado e sublime que é o nascimento de uma nova vida a imcompetência dos governos traz consequências para o lado mais fraco.
    Verba pública existe… o destino que lhe é dado e que não sabemos… melhor, sabemos… super-faturamentos, malas recheadas de dinheiro público, viagens para parentes de políticos, etc.
    UMA VERGONHA!

  2. Nelma Espíndola Says:

    Penso que você tem razão quando levanta dois pontos para que o desmonte da saúde cresça e se agrave: a “ …falta de preocupação com a população” e “a população cobrar seus direitos”. Por mais incrível que pareça, os direitos e deveres sociais, não são tão divulgados, e desse modo são disponibilizados de acordo com os segmentos que os procuram. Porém, há falta de informações à população de baixa renda sobre seus direitos e deveres, sim, por mais que isso pareça absurdo, numa conjuntura chamada de “Era da Informação”. Penso é que teríamos mesmo de estar vivendo numa “Era da Comunicação”; nela o entendimento e as informações sobre os nossos direitos e deveres sociais seriam de fato trocados através do diálogo, das discussões dos temas que dizem respeito a nossa qualidade de vida, alcançando um número significativo da população. A profª Ana Maria Vasconcelos, em uma de suas participações em eventos ligados à saúde, chama a atenção para o que temos de lutar e divulgar:

    “Direito ao acesso universal aos serviços de saúde nos diferentes níveis de complexidade; à atenção integral à saúde; à prevenção de doenças, danos, agravos e riscos; ao tratamento e à reabilitação; a um atendimento sem preconceitos e de qualidade; a informações a respeito do seu quadro de saúde e de seus familiares; a informações sobre as rotinas, funcionamento e recursos das unidades de saúde; à participação direta ou indireta no controle social dos serviços prestados; de ser ouvido (escuta ind. e coletiva) e de ouvir na consulta médica e demais atendimentos na saúde; de ter acesso ao seu prontuário e exames; de ter acesso a medicamentos básicos e de uso contínuo …;” e assim vai…

    Sei que me estendi no comentário, mas, tava entalado na garganta.
    Abraços.

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