Crítica cinematográfica: “Apenas o fim”.

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Érika e Gregório, química imbatível em tela

Érika e Gregório, química imbatível em tela

Esse fim de semana eu tive o prazer de assistir a essa pérola do cinema nacional. Dotado de lirismo ímpar e de uma linguagem clara e coloquial, a palavra que me vem à mente quando penso num adjetivo para esse filme é DESPRETENSIOSO.

E talvez essa seja uma das melhores definições para esse longa-metragem do diretor Matheus Souza, que estréia em grande estilo abordando as nuances de um amor entre o nerd e a bela garota “complicada e perfeitinha” (como bem diriam os Raimundos).

Gregório Duvivier encarna o típico nerd. Aquele cara que, assim como eu e você, cresceu vendo os cavaleiros do zodíaco, dá mais importância às suas memórias afetivas do que à moda e que no fundo é um eterno romântico. É impossível não se sensibilizar com a sua interpretação do cara que descobre que a mulher que ele ama está indo embora e que resta apenas uma hora para eles dois juntos. Difícil também é não se reconhecer nas falas recheadas de referências à cultura pop, que vão desde Transformers até Backstreet Boys.

Érika Mader também dá show tornando simpática uma personagem que, se mal dosada, poderia ser vista como egoísta e até insensível. No longa, Érika não economiza em talento para dar o tom certo à garota que sente um imenso banzo, uma saudade de tudo que ainda não viu (agoro eu tive que citar Legião…) e que por isso, decide partir.

A trama se desenrola no diálogo entre estes dois personagens e as pessoas que eles encontram no caminho. A tentativa dele em entender o porquê e dala em tentar se manter firme na decisão podem ser notadas claramente nas conversas, que ganham ainda mais com os improvisos do elenco.

A ação toda do filme se passa na PUC-RJ, faculdade onde os personagens estudam e o cenário passa a ser um terceiro elemento muito bem utilizado na narrativa.

Outro ponto positivo são as participações especialíssimas de atores como Marcelo Adnet, Natália Dill, Julia Gorman e  Álamo Facó.

Um filme bem escrito, com interpretações primorosas e muita sensibilidade. Um exemplo de que o cinema nacional tem sua renovação garantida sem apelar para nudez, violência ou a reprodução de fórmulas que deram certo no passado e hoje estão desgastadas pela repetição.

Um filme que eu aconselho para casais e solteiros, nerds e não nerds. Enfim, para todos os públicos e gostos.

Fico contente em saber que “Apenas o fim” é apenas o começo para Matheus e sua trupe! E fico aqui no aguardo de sua próxima obra.

Vida longa ao cinema de qualidade!

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8 Respostas to “Crítica cinematográfica: “Apenas o fim”.”

  1. Rodolfo Says:

    Ainda não assisti esse filme, vou procurá-lo. Valeu pela indicação, lendo o texto me fez criar uma expectativa boa…

    Abraços
    Rodolfo

  2. Wagner Says:

    Parece mesmo muito bom!

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  3. Erika Neves Says:

    Sim, o filme é ótimo! Assisti 2 vezes no Festival do Rio e assistirei novamente no dia 12/06! É encantador e todo mundo se reconhece um pouco naquelas falas! 😉 Adorei seu texto!! Também fiz uma crítica ano passado, para O Globo Online: http://oglobo.globo.com/participe/mat/2008/10/07/eu-bonequinho_em_apenas_fim_qualquer_semelhanca_pode_nao_ser_mera_coincidencia-548597935.asp.
    Bjos!

  4. Leandro Rocha Says:

    Rodolfo e Wagner, obrigado pelos comentários!

    Muito bem escrito o seu texto Erika!
    Parabéns pelo gosto cinematográfico e pela qualidade da sua escrita.

    Voltem sempre a essa casa de doidos chamada “Surto Coletivo”

  5. Wander Veroni Says:

    Esse filme aiunda não estreou na minha cidade, acredito. Pelo menos ainda não vi nada sobre ele nos cartazes. Mas, só pelo seu relato, parece ser um filme interessante! Vou fazer questão de assistir! Parabéns pela crítica.

    Abraço

  6. Apenas o começo… | AdneTRIP! Muito mais Marcelo Adnet! Says:

    […] Surto Coletivo: Dotado de lirismo ímpar e de uma linguagem clara e coloquial, a palavra que me vem à mente quando penso num adjetivo para esse filme é DESPRETENSIOSO. […]

  7. Leka Marcondes Says:

    Sem dúvidas, promove uma identificação surreal entre meninas e meninos da nossa geração. Muito bem amarrado, uma revelação positiva no cinema brasileiro. Desde “Não por Acaso” não via um filme nacional gostoso assim.

    • Leandro Rocha Says:

      Ótima referência Leka!
      “Não por acaso” é outro primor do cinema nacional moderno.

      Espero que o filme não demore a chegar aí Wander! Vale a pena assistir.

      Aproveito também pra agradecer ao AdneTrip pela participação aqui no Blog. Parabéns pelo trabalho de vocês!

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