Estréia

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            Olá! Esse é o meu primeiro post em blogs. Eu cheguei a criar um blog uns tempos atrás, mas tirei ele do ar antes mesmo de fazer a estréia. Por isso, não reparem nos possíveis deslizes :).

Vou começar os trabalhos falando de RPG, que, junto com os quadrinhos, são as coisas que movem o fórum que reuniu o povo aqui do Surto, na verdade. O objetivo, de fato, é falar sobre o Pathfinder RPG, que talvez se torne muito popular aqui no futuro.

 

Qual o motivo disso?

 

Todo mundo sabe que no começo da década surgiu a Licença Aberta e a versão 3.0 de Dungeons & Dragons. Esse importante acontecimento foi responsável por uma mudança no mundo dos RPGs, porque a partir desse ponto qualquer um que desejasse criar um cenário poderia se valer da mecânica de jogo fornecida pela versão 3.0, contato que desse os devidos créditos aos criadores, em sua publicação. Isso levou ao surgimento de inúmeros cenários independentes e alguns até licenciados pela Wizards of the Coast (a proprietária dos direitos de D&D), como o aclamado Eberron.

Um tempo depois do surgimento da versão 3.0 começaram a aparecer umas falhas e coisas que poderiam ser melhoradas. Então, surgiu a versão 3.5, que de fato corrigiu muitos dos problemas anteriores. É na versão 3.5 que todas as publicações que usam a Licença Aberta se apóiam para criar seus mundos. No entanto, apesar de muito boa, ela também tem suas limitações, que motivam milhares de comentários nos fórums sobre o assunto (e alguns debates acalorados entre jogadores e mestres, durante as partidas) ao redor do mundo todo. Como sabemos, nada é perfeito, então é normal que existam falhas. Então, seria normal, também, buscar melhorar ainda mais a versão 3.5.

É aí que a coisa começa a ficar preocupante ou até mesmo interessante, dependendo do ponto de vista. Chegaremos lá. Sabendo quantas eram e quais eram as falhas na sua versão 3.5 e tendo em vista também as exigências do mercado e o futuro deste, a Wizards resolveu inovar e criar a versão 4.0 de D&D. Ao invés de ser uma revisão da 3.5, eles resolveram abandonar essa versão e tentar se recriar totalmente, com novas regras, algumas novas raças, modificações de raças antigas e várias outras mudanças que fazem com que dezenas de fãs desejem se matar ou renovar toda a biblioteca assim que possível. Sim, porque tudo será recriado, logo aquilo tudo que você comprou ao longo dos anos não serve mais para a versão 4.0. Considerando que nos EUA existem dezenas de livros e que cada um deles custou algumas poucas dezenas de dólares, você começa a entender o motivo de ter gente querendo se matar de tanto ódio da editora, caso não tenha gostado da 4.0 ou simplesmente queira migrar e não tenha dinheiro.

Ao que parece, a maioria está gostando, ou ao menos está curiosa, visto que 4.0 está vendendo muito bem lá fora. Porém, lá, assim como aqui, existem muitas pessoas descontentes, seja com o custo da nova empreitada, seja com o fato de se sentir traído como consumidor e ter que por suas centenas de reais (ou dólares) em caixas e jogá-las numa masmorra para nunca mais tocar nesses objetos novamente. A esperança dessas pessoas são os cenários alternativos, que se baseiam na versão 3.5 (como Tormenta e Eberron) ou ainda em algo que busque melhorar a versão 3.5, como é o caso do Pathfinder. Criado pela Paizo Publishing, que busca sobreviver agora que foi proibida de publicar material oficial de D&D, o Pathfinder busca melhorar a versão 3.5 (o que alguns estão chamando de versão 3.75), não só no que diz respeito as regras e mecânica do jogo, mas também proporcionar melhorias nas raças e classes núcleo de D&D. Cá entre nós, já estava na hora disso aparecer, né?

Buscando ser simples e acessível, a Paizo lançou em sua página na internet o Pathfinder RPG Beta Playtest, um arquivo em pdf gratuito, que qualquer um que fizer um breve cadastro poderá baixar. A outra opção, que surpreendentemente se mostra viável, é a versão impressa, que custa quase 10 dólares. Surpreendente por quê? Porque tem de graça na internet, quem vai querer pagar? Muita gente! Talvez seja um caso isolado, mas também pode ser um indicativo de que a indústria do RPG deve pensar na internet como meio de publicação de material.

Durante a leitura do livro, em meio ao texto de fácil compreensão e belas ilustrações, o leitor encontrará algumas caixas de texto, chamadas “designer notes”, onde os autores explicam os motivos de algumas alterações e o objetivo deles com as mesmas. Eles incentivam os leitores, no início do livro, a sempre que possível enviar e-mails para o site ou participar do fórum, acrescentando suas opiniões e experiências de jogo usando o sistema, para que a versão final, a ser publicada no meio do ano que vem seja o mais próximo possível de um sistema sustentável e que seja moldado de acordo com o gosto dos seus futuros consumidores.

Dividido em 17 capítulos, o manual que busca reunir em uma só publicação o Livro do Jogador e do Mestre, conta com 404 páginas. Como não poderia deixar de ser, ele conta com os capítulos para a descrição de raças, classes, equipamento e etc. Porém, mesmo seguindo o script clássico (em termos de ordem de leitura), ele apresenta novas idéias do começo ao fim.

As raças sofreram algumas mudanças, acredito que para melhor. Exceto por humanos e meio-elfos, todas as raças recebem +2 em duas habilidades, assim como um redutor de -2 uma habilidade, todas pré-estabelecidas. Os humanos e meio-elfos, por sua adaptabilidade natural, recebem somente +2 em uma habilidade, mas não ganham redutores. Em uma breve análise, as escolhas parecem interessantes, e quando não o são, o equilíbrio de forças entre as raças justifica uma escolha mais “diferente”. Outra justificativa para isso é que cada raça tem duas classes favorecidas, então talvez o segundo bônus, adicional ao da versão 3.5, mesmo sendo estranho, possa ser útil para a outra classe favorecida, além da tradicional. A maioria dos traços raciais foram mantidos.

As classes núcleo, talvez, sejam a parte mais modificada do jogo. Isso foi feito em um esforço dos criadores para torná-las mais atraentes e não somente o pré-requisito para aquela classe de prestígio legal, cheia de bônus. Para que isso seja possível, eles eliminaram o que vem sendo chamado aqui no Brasil de “nível morto”, ou seja, aquele nível em que você, mesmo progredindo como personagem, não ganha nada de sua classe. Aquele nível em que bônus base de ataque não sobe, os testes de resistência não sobem, não tem magias novas, não tem NADA. Eles distribuíram a progressão do personagem de forma que em todos os níveis o jogador ganhe algo novo, nem que seja um +1 em algum teste de resistência. Outra coisa que fizeram foi acrescentar ou modificar manobras, talentos ou bônus das classes. No vigésimo nível, pra compensar esse tempo todo de fidelidade ao personagem e a classe, ele recebe uma habilidade mais poderosa. O Ranger ganha a chance de matar o inimigo com um único disparo, se as exigências forem atendidas, por exemplo, mas elas não se resumem a golpes poderosos. O Bardo pode usar qualquer perícia, mesmo aquelas que exigem treinamento e que ele não possui graduações, como sendo uma perícia de classe com 5 pontos de graduação, deixando o Bardo ainda mais versátil. O Bardo de Pathfinder realmente parece útil, acreditem.

Todo personagem que prosseguir em uma de suas classes favorecidas deve fazer uma escolha toda vez que avança de nível: se ganhará mais um ponto de vida ou mais um ponto de perícia extras. Ou seja, no nível 20, seu Mago magrinho e com meia dúzia de PVs pode ter VINTE pontos a mais do que colega de Forgotten teria. Além disso, todas as classes mais frágeis (Mago, Feiticeiro, Ladino e Ranger, que já nem era tão frágil assim, convenhamos) receberam uma progressão em seus dados de vida. Quem ganhava 1d4 PVs por nível, agora ganha 1d6 e assim por diante. É, Ranger agora ganha PV em d10 e o Clérigo não! Os criadores justificaram isso como uma tentativa de evitar que o Mago, por exemplo, leve um golpe de um kobold de primeiro nível e morra, que de fato é bem frustrante, mas por outro lado revela a fragilidade das raças humanóides em início de carreira. Ainda nesse sentido, existe uma regra opcional no livro de se adotar pontos de vida extras, na criação do personagem, no primeiro nível. A regra pode funcionar de diferentes maneiras. Uma delas é a seguinte: todos os personagens de 1º nível recebem +6 pontos de vida, independente de classe, pra ser justo. Ou, se isso soar incoerente, porque um Guerreiro, que se dedica mais ao fortalecimento do corpo não pode receber o mesmo bônus que um Mago, também é possível fazer de outra forma. Classes frágeis, como Magos e Ladinos recebem um valor, o mais baixo, enquanto Clérigos recebem um valor intermediário, e os mestres do combate corpo-a-corpo, Guerreiro e Bárbaro, recebem valores mais altos.

Resolvi abordar somente raças e classes, nesse momento, porque são onde as regras são bem visíveis e interessantes. As alterações nas perícias (algumas foram extintas ou fundidas a outras), em alguns cálculos e outras considerações mecânicas são muito maçantes de ler e só fariam esse artigo ficar ainda maior.

 Confesso que ainda não li todas as 404 páginas, mas já li a maior parte e me sinto confortável para fazer essa breve análise. Gostaria de tratar com mais detalhes das classes, que realmente ficaram interessantes, mas acredito que se isso acontecer, tratarei de algumas individualmente, para tentar fugir de mais artigos enormes como esse.

Na página da Paizo, como disse, o arquivo pode ser facilmente baixado, caso mais pessoas tenham se interessado. Acredito que vale a pena sim, ainda mais porque isso tudo é genérico e pode ser incorporado ao tradicional Forgotten Realms 3.5 ou ao Tormenta, já muito populares no Brasil. O jogador só seria que adquirir o livro da Paizo ou continuar usando o pdf e fazendo suas próprias alterações. Ao contrário da 4.0, é totalmente compatível aos livros que já temos em casa.

No momento, era isso, pessoal. Apesar de ter demorado a estrear aqui, gostei e pretendo escrever mais, no futuro. É um assunto bem específico, mas tentei deixar o texto acessível para quem não conhece RPG de mesa, mas me esforçando para não torná-lo superficial demais, para não desagradar quem gosta do assunto.

            Abraços!

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